PT (Portugal Telecom) e Telefónica, da Espanha, são as duas empresas controlam a Brasilcel. A Brasilcel é uma sociedade detida em partes iguais pela Telefónica e pela PT. O holding, por sua vez, detém 60% do capital da operadora móvel brasileira Vivo. Cada empresa possui 50% de participação no holding.
Para manter o controle total, a Telefónica fez uma oferta hostil no dia 10 de junho, para a aquisição da parcela de 50% que a PT tem na Brasilcel. Hostil mesmo. O valor oferecido foi de 5,7 bilhões de euros, o equivalente a aproximadamente 12,5 bilhões de reais. A oferta foi cuidadosamente montada para evitar que a PT tivesse dinheiro para uma contraproposta: o valor da oferta daria pra comprar 80% da Portugal Telecom.
A Telefónica levou na cara: o conselho de administração da PT comunicou que “a Vivo é um ativo essencial para a estratégia da PT e a venda dessa participação iria contra as perspectivas de crescimento a longo prazo da PT”.
Pra não sair de cara emburrada, a espanhola aumentou sua oferta de 5,7 bilhões de euros para 6,3 bilhões de euros. As ações da Portugal Telecom disparavam no momento, com crescimento de 7%. A PT diz não. No dia primeiro de junho, a Telefónica elevou de 6,3 bi pra 6,5 bi. As ações avançavam mais 2,9%. A PT, de novo, diz não. Até que a Telefónica ofereceu 7,2 bilhões de euros. Não tinha jeito. A oferta é excelente. Os executivos da PT se reuniram no dia 30 de junho, para decidir a situação. E o estado português usou sua golden share (percentual de uma empresa detida pelo governo que lhe permite, independentemente do tamanho da participação no negócio, vetar transações estratégicas) para barrar a venda da participação.
Assim, ficou vetada a compra. Mas o Tribunal de Justiça da União Europeia concluiu em 08 de julho que a detenção de golden shares por parte do estado “constitui uma restrição não justificada à livre circulação de capitais”.
A negociação ainda está em andamento. O interesse da Telefónica é incorporar a Vivo à Telefónica de São Paulo e alcançar o mercado nacional, e formar a Movistar. E existem apenas uma saída para o impasse sem que a Telefónica parta pra comprar a Portugal Telecom inteira: a PT comprar a Oi e conseguir o sonho de ser a operadora de telefonia lusófona, e aí poderiam vender sua metade da Vivo sem grandes perdas. A Oi já disse que não vão largar o osso, mas isso é relativo: a PT disse o mesmo. Ou ainda formar uma joint-venture com a Vivendi (a controladora da GVT que já mostrou interesse no mercado móvel brasileiro) e montar uma nova operadora móvel, do zero…