A filosofia do Falco (Oi) para a banda larga…

Na verdade, isso é um post que eu fiz no SeuCelular e estou colando aqui. É sobre essa notícia, que, se você é da área de TI já deve ter lido.

Estou comentando as pérolas que o Falco soltou em primeiro de Abril. Sinceramente, espero que boa parte do que ele falou ali seja mentira, afinal, o dia é propício para tal…

Se você não quiser ler, não tem problema: por aqui mesmo você vai entender absolutamente tudo o que eu quis dizer. Adiantando um pouquinho, o tema é sobre banda larga, onde o presidente dessa empresa medíocre (Oi) falou que a banda larga dela será bem mais barata do que as outras. Só do título já dá pra ver que ele bebeu.

Tele.Síntese – A Oi avisou que irá investir este ano entre R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. É um corte de 30% em relação da 2009, quando já havia investido menos do que em 2008.
Luiz Eduardo Falco – A companhia continua a investir, mas isto aqui não é lata de patê, com prazo de validade, ou seja, em 31 de dezembro, tudo vai acabar. Nada disso. Talvez voltemos com mais recursos no próximo ano, ou com novos modelos de investimento.

Adorei a filosofia do patê.

Tele.Síntese – Mas não compromete a rede? A qualidade?
Falco – A resposta é não. Você está nos comparando com empresas que não investiram e tiveram problemas de qualidade. Não é o nosso caso. As nossas operadoras fixas sempre foram as melhores entre os indicadores da Anatel.

É claro que compromete, santa demência! Se vc não dispõe de dinheiro para manter a rede, a qualidade da rede é comprometida SIM.

Tele.Síntese – Mas a Oi registrou problemas em sua rede de dados na Bahia, e em outros estados do Nordeste.
Falco – Mas isso é problema de corte na fibra óptica. Se ler os jornais das últimas semanas, houve problema também com os cabos da Embratel, coitadinha. O Brasil está em obras. Isso significa que as máquinas estão cavando violentamente por aí. Nós temos rompimento de 900 fibras por mês. Trinta fibras por dia! A maioria é novamente roteada, e o cliente não percebe. De vez em quando o cara faz um rompimento duplo ou triplo, aí você tá ferrado. 

Resumindo: vocês precisam de mais fibras de redundância. E olha o vocabulário… Pelo vocabulário, percebe-se que o Falco COM CERTEZA bebeu umas 6 doses de whisky antes da entrevista…

Tele.Síntese – Mas a prioridade não é investir na nova rede, a de banda larga, que é uma rede cara?
Falco – Quem tem a maior rede de fibra do Brasil somos nós: 170 mil Km de fibras. Nós somos a banda larga do Brasil. Você se esquece que nós colocamos mais de R$ 1 bilhão para fazer a rede de backhaul do Brasil. No final de 2010 serão 5.650 municípios com banda larga e só 4 mil com telefonia celular. Se tem uma coisa que a Oi fez, foi instalar banda larga!

Do que adianta ter uma grande malha de fibra óptica, se nem no mesmo endereço você consegue oferecer banda larga pra mais de uma linha? Digo isso porque em minha residência possuo duas linhas telefônicas. Só posso ter Velox em uma delas….

Tele.Síntese – Sim, mas você não tem medo de que, a partir dessa constatação, alguém goste da ideia e forme uma gigantesca e impressionante estatal?
Falco – Por que precisaria disso? A Oi tem as vantagens de ser estatal e as vantagens de ser privada. 49% do controle direto e indireto é do governo e 51% do controle é privado. Ou seja, tem a liberdade do privado e tem o peso institucional do governo. É a mesma coisa do Banco do Brasil, que comprou 49% do banco Votoratim, mas o manteve  privado. Esta é a Oi. É uma combinação societária muito interessante.

Ele não errou na divisão estatal x privada? O Governo detém apenas 20% da empresa. Isso é que eu chamo de CEO organizado…

Tele.Síntese – Mas se ela virasse o veículo de política  do governo..
Falco – Mas ela é! A questão é saber se se quer este veículo estatal ou privado.

Dá pra ver que nem ele sabe direito.

Tele.Síntese – A Oi não está universalizando a rede de dados. Tanto que o backhaul dela só chega às sedes municipais.
Falco – O que você quer?

Que chegue banda larga com uma velocidade decente na residência das pessoas. Decente significa a partir de 1Mb, no mínimo. Estamos na era em que o YouTube já é realidade para a maioria dos internautas, o Facebook está se popularizando e o uso de torrent está cada vez mais abrangente.

Tele.Síntese – Universalizar é chegar em todo o território nacional, como na voz.
Falco – Mas o único lugar que não estamos são as áreas rurais, que não têm solução para voz. São 4% da população. Qualquer taba de índio tem orelhão nosso. Temos 700 mil telefones públicos. Qualquer lugar do Brasil tem voz e qualquer lugar do país tem dados.

Em pleno 2010, ninguém quer saber de telefones públicos, sabendo que existe uma incrível tecnologia chamada telefonia celular.

Tele.Síntese – Qual é o problema, então?
Falco – O problema é de penetração. E para ampliar a penetração, são necessárias alavancas de preço, renda e subsídio. Como foi o programa Luz para Todos. A diferença da telefonia para o sistema elétrico é que ele está fazendo o que já fizemos, que é universalizar o serviço.

É por isso que eu aplaudo a Telefônica. WiMesh é a melhor saída pra esse tipo de programa.

Tele.Síntese – Mas as elétricas estão indo para as áreas rurais, e vocês não.
Falco – Tá bom. Exceto a área rural. Mas se disserem de onde vem o dinheiro, nós que vamos fazer. Você acha que é a Tim, Claro ou Vivo que vão fazer universalização?

Sorry, mas a Vivo acaba fazendo a universalização de áreas rurais, já que ela virou uma “concessionária” e acabou que, por obrigação, tem mais cobertura no interior. E nas áreas não-MG e Nordeste, como a cobertura é 850MHz, a penetração de sinal é maior. E, detalhe: ele misturou teles fixas com móveis.

Tele.Síntese – O problema do uso não está vinculado a preço?
Falco – Há um custo. Na universalização, o valor presente é igual a zero. Ou seja, este negócio dá conta zero. Se te custa um valor maior que o nosso habitante pode pagar, há um buraco. Ninguém vai baixar preço abaixo do custo, não existe isto. Universalização não se faz para ganhar ou perder dinheiro. Para assumir essa diferença de custos,  tem que se usar outras alavancas como desoneração, subsídio, venda casada para permitir o subsídio cruzado. Aí se chega lá.

Já que a Telemar também é estatal, de acordo com ele, os impostos deveriam ser nulos. Certo?

Tele.Síntese – Mas se o governo entende que vocês não estão atendendo os objetivos, e pretende criar um outro veículo estatal para chegar aonde vocês não chegam, qual é o problema? Por que estão preocupados? Deveriam estar comemorando, já que irá tirar um ônus de vocês, que é chegar onde não há mercado..
Falco – Mas a discussão não é essa. Primeiro, sou uma empresa brasileira e a minha contabilidade é aberta e o governo detém 49% dela. Eu conheço os meus custos.

Eu acho que ele não conhece os custos do Velox Amazonas.

Tele.Síntese – Depende. O governo está afirmando que vai oferecer banda larga a custos menores e a preços mais baratos do que a iniciativa privada.
Falco – As minhas contas são abertas. O governo deveria ver os meus custos, não vai cair a mão de ninguém. Se o governo consegue vender abaixo do meu custo, provavelmente, das duas uma: ou ele errou na conta ou não botou algumas coisas na conta dele, como por exemplo, contribuição sobre lucro e imposto de renda. É normal o governo não colocar isso nas contas, porque ele não paga. Mas não quer dizer que o meu custo está errado.

Mais uma vez: a Telemar não tem despesas com imposto, já que, de acordo com ele, ela também é uma estatal. Onde está seu Deus agora, Falco?

Tele.Síntese – Mas o se o governo está falando que vai aonde a iniciativa privada não vai, porque você está preocupado? No fundo, vai desonerar a Oi.
Falco – Não estou nem um pouco preocupado. Não é isso, só que não acredito em duplicação de ferrovias. Nós temos 170 mil Km de fibra. O governo tem 17 mil Km. Entendemos que faz mais sentido construir um plano com 187 mil Km de fibra. A infraestrutura que esta aí é a mais barata. É a que está aí. E tem um custo associado. Se na minha conta há custos que na conta do governo não entra, vamos tirar. Se não tem contribuição social, vamos tirar. Mas não dá para ficar nessa conversa de que eu incluo tudo na minha conta e o governo fala que faz mais barato. Com essa conversa a gente não chega a nenhum lugar.

Se esses 170km de fibras não consegue nem atender direito os usuários atuais, imaginem os de banda larga popular? Pensa um pouquinho, né, Falco..

Tele.Síntese – Mas isso é também obrigação das demais empresas de capital estrangeiro,como a Telefônica.
Falco – Coisa nenhuma! A Telefônica tinha que conectar 8 mil escolas, conectou metade porque o Serra não deixou o resto. A Oi fez 50 MIL!  Não dá nem para começar a conversa. A Telefônica só tá dando um espirro. Quem faz universalização no Brasil é a Oi.

A diferença disso tudo é que a Telefônica só tem que cumprir em UM estado. Em todos os outros, a obrigação é da Oi. Logo, Telefônica >>>>>>> Oi nesse quesito.

Tele.Síntese – Mas, então, porque o governo está criando um plano de banda larga, e está irritando  vocês?
Falco – Você tem alguma dúvida de que qualquer seja o plano, com Telebrás, sem Telebrás,  nós vamos fazer 90%?
Tele.Síntese – Tenho.
Falco – Não devia ter. Pois nós seremos o implementador desta política. Esta empresa tem potencial gigante para atuar no Brasil como empresa brasileira. A rede é nossa, a central é nossa, a última milha é nossa. Na periferia das 200 maiores cidades do Brasil, a rede, o prédio, o cabo são da Oi. Não tem outro, não tem um segundo provedor.

Ele devia ser um pouco mais realista… Eu acho que ele não conhece algo chamado GVT.

Tele.Síntese- Concordamos que o Brasil precisava de uma política de banda larga.
Falco – Sim, o governo faz, e quem  implementa é a Oi.

Na moral, ele acha que a Oi é a única empresa que tem capacidade pra isso, né?

Tele.Síntese – Não sei.
Falco – Claro que não somos ineficientes. Se o governo fizer a Telebrás, se ela é mais barata e se há o interesse estratégico, tudo bem. Mas a Oi tem participação do governo e, dentro das mesmas premissas, sempre será mais barata do que qualquer outra empresa. 

São tão ineficientes que não conseguem montar lojas próprias, não conseguem suprir o mesmo serviço de banda larga pra todas as residências (tipo, só tem viabilidade pra 4Mb e queria colocar 14Mb), e por aí vai…

Tele.Síntese – A Oi exerce o poder do monopólio. Em Manaus ou em Niterói a sua banda larga é mais cara do que no Rio, onde tem competição.
Falco – Este conceito está errado. Em Manaus, o acesso é por satélite. E é a Oi que está colocando R$ 100 milhões para fazer uma rota pela Venezuela para chegar a fibra em julho. Em Niterói os custos são diferentes.

PERA. PERA AÍ. PARA TUDO. COMO ASSIM OS CUSTOS SÃO DIFERENTES? QUAL O MOTIVO DESSA RIDICULA DIFERENÇA? Tudo isso por causa duma pontezinha de uns 15km? Pira, né

Tele.Síntese – Estudos mostram que onde tem competição, a Oi abaixa o preço da banda larga.
Falco – Isto é outra enganação. Os caras fazem o seguinte: eles vendem banda larga com TV, mas não vendem a banda larga sozinha. Aí eles falam que a banda larga é mais barata.  Não faz sentido comparar a gente. Esse pessoal está em ambiente de competição que não precisa de política pública do governo.

ENGANAÇÃO? A Oi só baixou o preço em Recife por causa da GVT. E nas outras regiões também.

Tele.Síntese – Os números da Telefônica estão melhorando sensivelmente.
Falco – Para! As minhas fixas são melhores que a Telefônica. Essa empresa foi proibida de vender banda larga, pelo amor de Deus. Menos. Estou dizendo que somos um grupo nacional, e, como empresa de telco, não somos nem melhor nem pior do que ninguém
.

AHHHHHHH MEU CARO, você precisa se ligar um pouco mais no mercado de TI. Essa réplica desse me soou como: “não me humilhe!”. Se tinha alguém que devia ser proibido de vender banda larga é a Oi, que nem pode oferecer todo o leque de serviços para a maioria das suas linhas.

Tele.Síntese – Vamos rever algumas contrapartidas pela fusão. Região Norte, o que falta?
Falco – Faltam uns cento e poucos quilômetros de cabo e atender umas aldeias indígenas

Se a empresa dele é tão boa como ele diz, em duas semanas essa fibra chega lá. Só que tá do mesmo jeito faz meses

Agora, vamos conversar um pouquinho. Por ser uma empresa brasileira, a Oi realmente tem alguns (veja bem, ALGUNS) motivos pra ser um pouco atrasada. Agora, o que eu acho mesmo é o governo vender uma estatal para alguém que não tem como manter.

Era preferível a Telefônica ter comprado absolutamente tudo que veríamos um serviço melhor (por mais que o Speedy seja bizarro), já que haveria dinheiro do exterior injetado no meio.

Eu pensava que o Falco era um cara mais informado, ele veio do mercado de aviação, e, principalmente nesse nicho que saber de TI é super importante. O que nos prova que ele é nada mais nada menos do que um desinformado controlando e levando a falência uma gigante empresa que tinha todo o potencial para se dar bem…

OFF: Fiquei com vergonha. Tive que postar isso via IE. O Firefox bugou quando eu colei esse texto por lá (eu formato os textos do blog no Word).


2 Responses

  1. Xjs disse:

    Seus comentarios sao pateticos… Vc nao conhece o falco e muito menos de telco… Nao tem a menor ideia da regulamentacao do setor, da politicagem envolvida e dos custos das coisas. Passa a pensar como investidor e amadurece. Parece uma crianca que ficou sem brinquedo!

    • Lucas disse:

      Julgue da maneira que interessar, mas creio que quem não tem a menor ideia da regulamentação do setor e política de custos e concorrência nesse caso, além de você, é o próprio Falco.

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